O SEU FILHO PARECE DISTRAÍDO, NÃO COMPREENDE O QUE OUVE E TIRA NOTAS RUINS NA ESCOLA?
 
26/1/2009
O SEU FILHO PARECE DISTRAÍDO, NÃO COMPREENDE O QUE OUVE E TIRA NOTAS RUINS NA ESCOLA?


Autoras:
*Fonoaudióloga: Priscila Villanova Nogueira (Fonoaudióloga Voluntária do “Projeto Gato de Botas”)
*Fonoaudióloga: Lana Cristina de Paula Bianchi (Fonoaudióloga Responsável pelo Serviço no “Projeto Gato de Botas”)

IMPORTANTE!
Disfunção no Processamento Aditivo Central é diferente de Surdez! A criança pode ter audição normal e ter dificuldade para compreender e interpretar o que é falado.

Queixas de distração, só ouvir o que quer, tirar notas ruins, preguiça, desinteresse, insegurança, falta de vontade de aprender... são comuns entre pais e professores. Todas essas queixas podem ser uma Desordem do Processamento Auditivo Central (DPAC). Portanto é importante ficarmos atentos para esse problema que afeta crianças e também adultos para podermos soluciona-lo.
Antes de explicar a Desordem do PAC, entendamos o que é PAC.

O que é Processamento Auditivo Central?

O Processamento Auditivo Central (PAC) necessita um bom Funcionamento das estruturas do sistema nervoso central. Estas estruturas são: tronco encefálico, vias sub-corticais, córtex auditivo, lobo temporal e corpo caloso. Processamento auditivo refere-se aos processos envolvidos na detecção, na análise e na interpretação de eventos sonoros. Estes processos acontecem no sistema auditivo periférico e no sistema auditivo central. É desenvolvido nos primeiros anos de vida, portanto é a partir da experienciação do mundo sonoro que aprendemos a ouvir. Quando ouvimos algo, acontece as seguintes etapas: detecção do som, discriminação do som, reconhecimento, localização da fonte sonora e compreensão do som. Todos ligados às funções cerebrais, como: atenção e memória. Um simples distúrbio pode fazer com que a criança não consiga interpretar ou não consiga prestar atenção já que todas essas habilidades necessitam estar organizadas e estruturadas; acarretando então uma DPAC.

O que é Desordem do Processamento Auditivo Central (DPAC)?

A DPAC é a dificuldade em lidar com as informações que chegam pela audição. É um transtorno funcional da audição. A criança detecta os sons normalmente, mas tem dificuldades de interpreta-los.
Reconhecida pela medicina, em 1996. Afeta a capacidade do individuo de compreender a fala e o processo de aprendizagem: como a alfabetização, a escrita, a interpretação de textos e compreensão do enunciados dos problemas.
A avaliação audiológica convencional: audiometria tonal, vocal, e imitanciometria avalia a capacidade auditiva na detecção e na transmissão do som. Já a avaliação do processamento auditivo central, analisa as habilidades auditivas centrais: localização sonora, figura-fundo, memória seqüencial, processamento temporal, fechamento... que são processos realizados mais profundamente, "no caminho do som até o córtex auditivo". Essas Habilidades:
• Localização sonora: habilidade de localizar auditivamente a fonte sonora;
• Síntese binaural: habilidade para integrar estímulos incompletos apresentados simultaneamente ou alternados para orelhas opostas;
• Figura-fundo: identificar mensagem primária na presença de sons competitivos.
• Separação binaural: habilidade para escutar com uma orelha e ignorar a orelha oposta;
• Memória: habilidade de estocar e recuperar estímulos;
• Discriminação: habilidade para determinar se dois estímulos são iguais ou diferentes;
• Fechamento: habilidade para perceber o todo quando partes são omitidas;
• Atenção: habilidade para persistir em escutar sobre um período de tempo;
• Associação: habilidade para estabelecer correspondência entre um som não lingüístico e sua fonte.

Causas

A mais comum é a otite média, infecção do ouvido médio (dor de ouvido), onde a criança fica com audição rebaixada temporariamente, impedindo o cérebro de receber adequadamente os estímulos sonoros. Inclui também: febres altas e contínuas; distúrbios específicos do desenvolvimento da função auditiva; pequenas lesões nas vias de condução; privação sensorial durante a primeira infância (falta de experiência acústica no meio ambiente) pode gerar uma imaturação das estruturas do sistema nervoso central, alterações neurológicas (doenças neurodegenerativas, alterações causadas por anoxia; problemas congênitos(rubéola, sífilis, citomegalovírus, herpes e toxoplasmose); déficits cognitivos; psicose, autismo e distúrbios emocionais; distúrbios da comunicação humana que comprometem sistema fonológico, voz, fluência, leitura e escrita; transtornos de aprendizagem; peso de nascimento inferior a 1.500g, alcoolismo materno ou uso de drogas psicotrópicas na gestação e permanência em incubadora.

Conseqüências

Todos esses fatores podem alterar a fala, o processo de alfabetização e o relacionamento social da criança por conta da dificuldade de comunicar-se com as pessoas, na escola ou mesmo em casa. Assim, as áreas de aprendizagem, comunicação e de interpretação social pode ficar comprometidas caso a DPAC não for corrigida a tempo. A contento, vale destacar que a Dislexia( Distúrbio Específico do Aprendizado de leitura e escrita) apresenta na maioria dos casos, uma DPAC; portanto nos tratamentos de Disléxicos é importante tratar algumas seqüelas e usar ferramentas para sanar a DP.

Indicações

A avaliação do processamento auditivo central deve ser feita após avaliação audiológica básica. Esta avaliação inicial fornecerá dados sobre as condições de detecção do som através da audiometria tonal liminar, condições de mobilidade do sistema tímpano-ossicular através das medidas de emitância acústica.

As indicações em crianças são:

1. Inquietude motora, agitação
2. Não compreende facilmente uma piada ou duplo sentido
3. Atenção prejudicada
4. Atrapalha” ao contar uma história ou dar recado
5. Dificuldade em escutar em ambiente ruidoso
6. Dificuldade de compreender em ambiente ruidoso
7. Agitados, hiperativos ou muito quietos
8. Fala muito ãh? o quê?
9. Prejuízo de memória seqüencial auditiva e localização sonora
10. Problemas de fala : /l/ e /r/, /s/ e /ch/
11. Dificuldades escolares (matemática e português)
12. Alterações de escrita e leitura.
13. Dificuldades na percepção auditiva
14. Não tem noção de direita e esquerda
15. Com dificuldade de relacionamento com crianças da mesma faixa etária.
16. Disléxicos

As indicações em adultos são:

1. Pergunta muito “o quê?”;
2. Dificuldade em compreender a fala na presença de ruído;
3. Ouve, mas não entende;
4. Tempo de atenção curto;
5. Fica ansioso e estressado quando escuta sons;
6. Distrai-se facilmente;
7. Dificuldade para lembrar informações auditivas, como, por exemplo, repassar recados;
8. Dificuldade para compreender piadas ou palavras de duplo sentido;
9. Utiliza pistas visuais para entender a mensagem falada;
10. Freqüentemente fornece respostas inconsistentes;
11. Dificuldade para falar o /R/ e /L/;
12. Atrapalha-se para contar história;


Como é feita a Avaliação?

Para avaliar o processamento auditivo central com testes especiais comportamentais utiliza-se de estímulos verbais (sílabas, palavras e frases) e não verbais especialmente gravados em CD de modo a permitir a apresentação de sons com distorções. Estes estímulos sonoros são enviados ao indivíduo, que será avaliado, através dos fones de um audiômetro de dois canais acoplado a um “CD player” utilizando uma cabina acústica.

Objetivo

O objetivo da avaliação do processamento auditivo central é medir a capacidade do indivíduo em reconhecer sons verbais e não verbais em condições específicas de dificuldade. Desta forma, pode-se calcular a capacidade do indivíduo de acompanhar uma conversação em ambientes desfavoráveis; determinar em quais habilidades auditivas está com problemas, medir em quantidade e qualidade a audição e contribuir no diagnóstico e no tratamento de diversos transtornos da comunicação oral e escrita.

Orientações

Os Pais e Professores podem ajudar muito!

• Quando iniciar um diálogo com uma criança, certifique-se de que ela esta olhando para você;
• Fale mais alto, mas não grite!;
• Fale mais pausadamente,mais articulado;
• Repita a ordem várias vezes ;
• Use frases mais curtas;
• Adicione informações à fala da criança, para que ela possa aprender novas palavras;
No início, deixar a casa com menos ruídos ajuda (desligar o radio ou a tv)
ou na sala de aula (pedir silêncio, fechar as janelas) enquanto o discurso verbal acontece.
Converse com seu filho, pelo menos 10 minutos diários.
Conte histórias, cante músicas, faça perguntas sobre: Como foi seu dia?
O que aprendeu na escola?
? Fale sempre uma coisa de cada vez, sempre responda as perguntas feitas,
? Peça à criança para repetir as solicitações. Não pergunte, apenas, se ela entendeu;
• Procurar não rotular a criança de preguiçosa, desinteressada, tagarela, etc,
• Compreender que a criança com DPAC cansa mais facilmente no quisito atenção, perde pistas acústicas facilmente e com isto,não entende o que lhe é ensinado. Intervenção:
A conduta é a terapia fonoaudiológica, para desenvolver o sistema auditivo verbal. Envolvendo também as habilidades auditivas, como: atenção seletiva; discriminação; localização; memória. A linguagem e a fala também faz parte do planejamento da terapia fonoaudiológica. Para cada tipo de alteração deve haver uma proposta de fonoterapia para priorizar os aspectos a serem trabalhados.

A terapia fonoaudiológica deve:

• Ser direta e interdisciplinar;
• Propor mudanças no ambiente familiar e escolar;
• Conscientizar as dificuldades;
• Fornecer estratégias compensatórias;
• Orientar familiares, escola, professores e classe;
• Trabalhar consciência fonológica com apoio da leitura, análise e síntese fonêmica;
• Trabalhar compreensão de linguagem e memória seqüencial para sons verbais e não verbais;
• Valorizar auto-estima da criança nas atividades que ela tem qualidades e facilidades.

Prevenção

A prevenção depende de um diagnóstico precoce de possíveis problemas de deficiência auditiva. Outra possibilidade é o estímulo dos pais que precisam conversar com o bebê com entonação rica e falar em altura adequada, nem alto e nem tão baixo. Se o cérebro não recebe informações, como pode interpreta-las? Para as crianças, a partir de dois anos, os pais devem contar histórias e cantar músicas com uma linguagem clara, fala bem articulada e correta. Nunca deixar de tratar por completo as otites e evitar os fatores que a causam. Portanto, é importantíssimo cuidar da saúde do ouvido e manter a estimulação do cérebro.